A situação atual das lavouras de soja em Mato Grosso do Sul apresenta um cenário preocupante, com cerca de 1,730 milhão de hectares afetados pelo estresse hídrico, o que equivale a 38% da área total cultivada. Essa condição é particularmente crítica na região sul do estado, onde aproximadamente 30 municípios estão enfrentando produtividade abaixo da média estadual. Essa realidade pode impactar significativamente a oferta de soja no mercado, influenciando preços e a dinâmica de comercialização.
Nos últimos 30 dias, a região sul experimentou uma seca moderada, com precipitações variando entre 1,4 mm e 66,6 mm, além de 10 dias de seca severa, sem chuvas. As lavouras mais vulneráveis são aquelas implantadas entre setembro e meados de outubro, que agora estão em estágios críticos de desenvolvimento, como o enchimento de grãos e a maturação. Até o dia 17 de janeiro, cerca de 55% das lavouras se encontram em fases críticas, com 23% em enchimento de grãos, 29% com grãos cheios e 3% no início da maturação.
Recentemente, entre os dias 18 e 20 de janeiro de 2025, a região sul registrou chuvas significativas, o que traz uma perspectiva otimista para os produtores. No entanto, a continuidade das chuvas é essencial para garantir o desenvolvimento adequado das lavouras. A previsão de até 178 mm de precipitação nos próximos 16 dias pode ser um fator decisivo para a recuperação das lavouras que ainda não iniciaram o enchimento de grãos, especialmente aquelas plantadas em outubro e novembro.
Do ponto de vista do mercado, a combinação de estresse hídrico e a possibilidade de chuvas favoráveis pode gerar volatilidade nos preços da soja. Analistas ouvidos pela Agência Rural, explicam que se as lavouras conseguirem se recuperar, isso pode estabilizar a oferta e, consequentemente, os preços. Por outro lado, se a estiagem persistir, os especialistas lembram que poderemos observar uma pressão de alta nos preços devido à redução da oferta.
